15 setembro 2008

Informação vagamente inútil

Agradeço a F. publicamente por nunca se esquecer de mim enviando-me todos os anos dos EUA essa obra incontornável que é o Jane's Military Report, um magnífico tomo que é, a bem dizer, a Biblía do vendedor de armas ligeiras e pesadas. Sem esta publicação, como é que eu alguma vez saberia que os 143 tanques do Exército maltês ficarão obsoletos ainda este ano, permitindo ao dealer de armamento a marcação de visitas aos Ministérios para dar uma palavrinha (e quem sabe algo mais) aos compradores? Como é que eu posso ficar indiferente à data de abate de 23 fragatas da marinha canadiana? A verdade é que este Report cobre quase tudo sobre armas, armamento, de mísseis ao simples RPG. Houvesse uma obra destas no mercado informático e a mim nunca mais me viam pois teria agenda para os próximos duzentos anos. Mas não lhes basta listar o equipamento actual ou o que estiver à beira da obsolescência, tem ainda uma magnífica lista de conflitos militares e de Estado que estejam pendentes. Um vendedor de Órgãos de Estaline tem por exemplo uma Terça Feira vaga, vê na lista que a Krakázia do Sul anda às turras com a Mizétia do Norte e dá lá um saltinho, sempre pode aliviar o armazém de uns monos Abrahams ou de uns Tupolev ligeiramente enferrujadas apenas a precisar de um bocadinho de lixa e um balde de tinta metalizada. E é quando vejo que na lista de conflitos pendentes (Deal opportunities, dizem eles) está a disputa territorial luso-espanhola por causa de Olivença que me lembro das efemérides. Passam hoje setecentos e onze anos sobre a assinatura do Tratado de Alcanices. Para que conste, foi nesse pedaço de pergaminho que os castelhanos acordaram (se bem que eu tenha dúvidas que eles não estivessem a dormir...) na soberania de Portugal sobre as localidades de Campo Maior e Olivença. Alguns anos mais tarde, fingindo-se distraídos, ocuparam a vila e nunca mais de lá sairam. É mesmo coisa de espanhol, pá! Assim sendo, queremos Olivença de volta. Não sabemos bem para quê, mas queremos.

P.S.- Ando cá desconfiado que também já perdemos a soberania de Campo Maior para a nação Nabeiro Delta, mas essa questão não é coberta pela Jane's...

7 comentários:

botinhas disse...

Olivença é Portugal!!!

Mas não deixa de ser impressionante as diferenças que há entre os dois lados da Ponte de Nossa Senhora da Ajuda...

L. Romudas disse...

A obra do excelso senhor comendador é deveras importante, mas não é um cenário assim tão negro. Digamos que é um império dentro (e fora) de uma vila, que ajudou muito ao crescimento dessa vila e à sua não-desertificação, mas a vila é nossa, por enquanto. Agora, quando o ex-contrabandista/patriarca morrer é que não sei não... Digo isto porque sou nado e criado nessa vila apesar de nunca ter usufruído directamente de um único tostão do café.

Quanto a Olivença, podíamos fazer um jogo de futebol Portugal-Espanha para decidir a coisa, se bem que uma luta armada seria bem mais civilizada...

mfc disse...

Vou substituir a minha fisga na Primavera...
O meu nome vem lá também?!

Pedro Aniceto disse...

Ui! Já anda com ela fisgada?

AB disse...

Mas exactamente que tipo de armamento recomendam para um incidente Luso-Espanhol?
AB

Pedro Aniceto disse...

O Jane's Military Report não Sugere armamento. Apenas lista o armamento dos países e indica a sua data de obsoletagem. Os deal opportunities é uma lista infindável de conflitos em aberto, não oficialmente encerrados.

jorge a. roque disse...

Bélico e deliciosamente interessante. Grande post!
Abraço