17 Abril 2014

Declaração Amigável

Senhoras e Senhores, sejam bem-vindos ao meu último blog:

Declaração Amigável.

Ahn?


Imagem enviada pelo leitor Amílcar Messias

Amo-vos

Existe um grupo de pessoas que estão convencidas de que o cinzento pode ser "mentalizado".

Hoje caça o leitor

Imagem Sapo Desporto, enviada por Nuno Lima

03 Abril 2014

Nunca fiz 50 anos


Nunca fiz 50 anos. Na verdade ninguém faz 50 anos. 


Se descontarmos o tempo que perdemos entretidos com coisas pequeninas e que nem deviam contar para o Totobola do que somos, ou para o que fomos, ninguém saberá ao certo quando perfaz 50 anos.

Eu devo confessar que só me apercebi do redondo número quando um dos clubes a que pertenço me endereçou uma missiva onde dizia, de forma subtil mas não menos eficaz me dizia "meu menino, já não és nenhum mancebo, tens de tratar de renovar a carta de condução". 

Já vi formas mais subtis de fazer chegar algumas mensagens. Parece um aviso de corte da EDP, isto mal comparado.

Foi nesse momento que fiquei frente a frente com a situação. Lembrei-me de um Grupo de Forcados Amadores. Mal comparado, claro.

Vacilei. Há sempre ali um momento de frissom. O número, que não sinto, impressiona. É majestático. Redondinho, mas isso também eu estou e não me parece tão impressionante... Incongruências.


Há sempre assuntos que nos desfilam pelas meninges em carrossel. O primeiro que me surgiu foi a próstata. Isso. Algum facto tinha de ser o primeiro. Afastou-se rapidamente. 

Lembrei-me dos que me faltam, dos que tombaram em serviço, qualquer serviço e sobretudo dos que me tombaram das memórias sem que eu quase tivesse dado por isso.
Quem ainda não fez 50 anos não perceberá, quem já os fez fará por esquecer. 

Sim, lembramo-nos de nós. Do que já fomos, do que amámos, dos que não conseguimos manter no abraço. É muita memória viva para descrever a intimidade publicamente. 

E na verdade não vos interessava puto.


Lembrei-me do que falhou, que é quase sempre muito mais marcante do que o nosso relativo sucesso. Sucesso é estar vivo e poder escrever "Nunca fiz 50 anos". 

Sim, eu sou dos que terá pena de morrer, nunca o escondi, não é bem pena, é medo, mas digo pena porque soa melhor e me assusta menos. 

Lembrei-me dos mais pequenos, aqueles que nos fazem sentir mais velhos rapidamente. 

Lembrei-me da angústia que será desaparecer, não gosto da palavra desaparecer, um dia vou ali e já não volto, mas enquanto aqui estou, aturem-me.

Nunca fiz 50 anos. Ainda agora completei 49 e já estou, estamos todos, preocupados com o nosso próximo degrau. Quando olho para trás vejo, egoisticamente estou certo, uma história de sobrevivência. 

Sim,sobrevivência. 

Não tenhamos medo das palavras. É um milagre estatístico ter pegado hoje no teclado e iniciado um texto de que não gosto particularmente. Estar vivo é em si mesmo um milagre estatístico.

Lembrei-me primeiro de quem efectivamente não gosto. Dos que me fazem asco. Não se assustem, não sou um tipo azedo, mas sempre fui assim, já em menino comia primeiro o que não gostava para depois me poder deliciar com as iguarias favoritas. 

Continuo a ser assim, como bastante menos mas mais intensamente (nenhuma graçola incluída neste preço).

Ficam-me para último aqueles a quem amo. As minhas iguarias favoritas. Aqueles que mesmo longe ou mais distantes não me falham. Os meus portos de abrigo para quem não há alertas de borrasca ou barras fechadas à navegação.

Tenho a certeza de que não fui perfeito. De que nunca fui perfeito. Mas concedo que partes de mim são ou foram muito boas. 

Fechemos os olhos e concentremo-nos nisso. No bom, em vez do mau, no doce em vez do amargo.

Fiz o melhor que pude? Talvez não, se conceder crédito à preguiça. Talvez sim se pensarmos que tudo o que fiz, tudo o que faço e tudo o que eventualmente farei se deve a todos vós, chegados ou afastados, família, amigos, e outros que não consigo classificar por falta de tempo e gavetas.


Mesmo os amigos recentes que disseram "Presente!" quando não tinham necessariamente de o fazer. Agradeço-vos a companhia na viagem. E se tem sido uma viagem. É pena o preço do bilhete, mas deixam-nos levar muita bagagem.

Se estou satisfeito com tudo o que fiz? Não. Desculpem-me, podia ter feito mais, podia a sorte ter sido menos madrasta. E menos amargura. Muito menos amargura. Aquela que combato diariamente e que evito que transpareça. Tenho a certeza de que nunca fui ingrato. Tenho a certeza de que muitas vezes avancei eu sem necessitar de compensar fosse o que fosse. Tenho a certeza de que não fui completamente mau. 

E é, ou foi isso que me permitiu olhar para os lados e ver tanta gente em linhas paralelas, gente que vai noutros carros mas na mesma direcção em que sigo. Se eu me finasse hoje, ainda teria chances de ser convocado para o team "Gajo porreiro"?. Talvez. Isso basta-me
e aquece-me a alma.

Nunca fiz 50 anos. Na verdade ninguém faz 50 anos. Daqui para a frente é mais estrada e navegaremos à vista. Convosco. E se não houver novidades, com a próstata.


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02 Abril 2014

Godot e o alcatrão

Esta madrugada, às 00:45, como muitos de vós perceberam pelas redes, o carro em que me deslocava foi violentamente abalroado pela traseira por outro veículo. Isto era banal, coisa para duas linhas em qualquer jornal, se não estivéssemos em cima da supostamente mais vigiada ponte do país, no caso a Vasco da Gama. Accionado o 112, que prontamente me colocou em contacto com a Brigada de Trânsito, aguardei no local a chegada da patrulha. Não sei quantos chineses nasceram durante a espera mas devem ter sido imensos. A patrulha levou uma hora e cinco minutos a chegar ao local. Isto poderia ser banal se em todo este tempo, algumas coisas extraordinárias não tivessem sucedido. A ronda da Gestiponte encontrou-me por casualidade. Isto. O condutor da outra viatura, em cujo hálito consegui descortinar vários tipos de casco de Carvalho teve tempo de abandonar o local e partir para parte incerta. Alertado pelas redes, o meu amigo João Calvino teve tempo de sair da sua casa em Massamá e chegar ao pé de mim praticamente ao mesmo tempo da Gestiponte. Uma hora e cinco minutos depois do ocorrido a Brigada teve então oportunidade de me processar os dados, efectuar o teste de álcool (0,0) e dar por encerrado o expediente. Ao outro condutor, como se costuma dizer, "assobiaram-lhe às botas". Alguns outros factos são dignos de relevo e deixo-vos como mera curiosidade o facto de ter enviado à BT por diversas vias a coordenada GPS do local do acidente. Estranhamente, a Brigada informou várias pessoas das muitas que telefonaram respondendo ao meu alerta, de que não dispõe de meios que permitam interpretar uma coordenada GPS. Dá para acreditar nisto? A Gestiponte encontrou-me casualmente. A Brigada de Trânsito leva mais tempo a chegar ao local que um civil que está em Massamá. Nos muitos contactos que eu tive com o 112, a patrulha esteve sempre "a caminho". Na ponte mais vigiada do país que temos.

14 Março 2014

O caçador de pérolas


Imagem do leitor Amílcar Messias

13 Março 2014

O caçador de pérolas


Imagem enviada pelo leitor Amílcar Messias

Uma equipa temível!


Imagem de Ricardo Martins Duarte. SIC Notícias

O caçador de pérolas


Patrocínio TV Moçambique num Concurso de Miss... Imagem de Miguel Iglésias Marques.

12 Março 2014

Hoje caça o leitor!


Contribuição do leitor Sílvio Santos

04 Março 2014

O caçador de pérolas


Correio da Manhã, imagem do leitor Sebastião Barata

26 Fevereiro 2014

Dia dos namorados


Imagem do leitor Amílcar Messias.

25 Fevereiro 2014

Não mexer nesta flor


O caçador de pérolas


Porto Alto. Imagem cortesia de Basílio Vieira.

24 Fevereiro 2014

Do frigorífico para o "Convento"